Há
cerca cerca de 40 anos quando foram criados no Brasil os primeiros cursos de
cenografia, o foco principal era formar mão de obra para trabalhar nas
produções teatrais. Até então, os cenógrafos, em geral, eram profissionais
oriundos de outras áreas, como a arquitetura, por exemplo. A formação
específica contribuiu não só para a especialização na área, mas também para a
abertura de novas frentes de trabalho.
Nada
mal para uma profissão cuja marca registrada sempre foi a instabilidade dos
contratos fechados por tarefa ou produção. Atualmente, além do cinema e da
televisão, que se tornaram o principal mercado para este profissional e
costumam manter equipes sob contratos regidos pela CLT, o cenógrafo passou a
ser solicitado também para atuar na concepção de exposições de artes, na
montagem de vitrines de lojas, nas grandes feiras e eventos, na publicidade, e
até mesmo nos barracões das escolas de samba, garantindo trabalho o ano todo.
—
Temos a sorte de viver numa cidade que tem dois grandes estúdios de TV e uma
produção cinematográfica e teatral fortes. Mesmo diante dos problemas
nacionais, que geram a falta de oportunidades, é uma área em que os bons
profissionais sempre encontrarão emprego. As produções são pontuais, mas como
tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo não falta trabalho. Temos alunos que
já saem do curso com trabalho garantido — afirma o professor Luiz Henrique Sá,
coordenador do curso de cenografia e indumentário da UniRio, que prevê o
surgimento de muitas oportunidades para os cenógrafos, nos próximos meses, por
conta da realização dos jogos olímpicos do Rio.
Com
a experiência de quem tem 30 anos de profissão e 52 longas no currículo,
Oswaldo Lioi, aos 59 anos de idade, se prepara para se lançar na direção, com o
seu primeiro longametragem autoral "Cada vez mais longe". A carreira
na cenografia foi iniciada em 1986, como designer, no filme "Leila
Diniz", de Luiz Carlos Lacerda. De lá para cá, o hoje diretor de arte
premiado e com atuações até em produções estrangeiras, diz que o mercado se
profissionalizou e, apesar da retração provocada pela crise econômica, ainda
gera muitas oportunidades.
—
Não sei se pelo momento político, que gera receio nos investidores, já que o
cinema é uma coisa cara e a gente depende do apoio financeiro, não tem como
negar que há uma retração. Se antes fazíamos quatro filmes por ano, hoje já nos
damos por satisfeitos quando temos dois. Atualmente os maiores investimentos
estão nos projetos de TV, com suas séries — afirmou Lioi, apontando para uma
transformação no setor, com o avanço da tecnologia, que cria novos mercados,
como o da telefonia, com pequenas produções para serem vistas e compartilhadas
via smartphones.
Para
ser cenógrafo é fundamental gostar de desenhar, já que os projetos nascem nas
pranchetas destes profissionais. É importante anda se manter constantemente
atualizado com o mundo das artes e se manter antenado com as principais
tendências estéticas e plásticas. A formação do cenógrafo é feita através dos
cursos de graduação com quatro anos de duração. A UniRio e a UFRJ estão entre
as poucas universidades do país que oferecem o curso, sendo que a primeira
forma ainda profissionais para trabalhar na elaboração de figurnos e, em seus
cursos, antes de se formar, os alunos passam pela chamada prova pública, que
consiste na montagem de um espetáculo num dos dois teatros da instituição, com
direito a plateia.
A
entrada na carreira se dá como assistente de cenografia, podendo o profissional
chegar a diretor de arte. A remuneração varia conforme o tipo de trabalho e de
contrato. Para ter uma noção, basta dizer que no cinema, onde há uma
regulamentação da carreira, a tabela do Sindicato Interestadual dos
Trabalhadores da Indústria Cinematográfica e do Audiovisual (Stic), define em
R$ 1.516, semanais, a remuneração do assistente de cenografia. Já um diretor de
arte ganha R$ 2.703,26, por semana, pela mesma tabela.
Fonte:
Nenhum comentário:
Postar um comentário